O governador Ratinho Junior (PSD) chega às convenções partidárias com um problema que ameaça sua sucessão: prefeitos, ex-prefeitos e dirigentes municipais antes abrigados no governismo começam a migrar para estruturas políticas próximas de Sergio Moro (PL). O vazamento ocorre quando Sandro Alex tenta consolidar a candidatura ao Palácio Iguaçu e precisa provar que consegue herdar a base construída pelo governador. As convenções começam em 20 de julho e seguem até 5 de agosto. Nesse intervalo, partidos definirão candidaturas, coligações, vices e chapas ao Senado. Ratinho entra nessa etapa com a máquina estadual, aprovação elevada e uma extensa rede de aliados, mas sem garantia de que esse patrimônio político será transferido para Sandro Alex. O PSD de Ratinho e Sandro Alex concovou para o próximo sábado, 25 de julho, às 10 horas, no Paraná Clube (Espaço Torres), a convenção estadual para definir a chapa completa para disputar as eleições de 2026.
A situação no Palácio Iguaçu é dramática porque o movimento deixou de ser apenas conversa de bastidor. A prefeita de Clevelândia, Rafaela Losi, eleita e reeleita pelo PSD, abandonou o partido do governador para assumir a presidência estadual da Democracia Cristã (DC). A nova direção da DC inclui integrantes ligados ao gabinete de Moro. A adesão pessoal de Rafaela ao senador ainda não foi confirmada pela prefeita, que agradeceu publicamente ao PSD e a Ratinho Junior. O fato político, porém, está consumado: uma prefeita governista deixou o partido às vésperas das convenções e passou a comandar uma legenda onde aliados de Moro ocupam posições estratégicas. O prefeito de Vitorino, Marciano Vottri, também deixou o PSD e ingressou na DC. Assim como Rafaela, ele ainda não anunciou voto em Moro. A troca partidária não equivale automaticamente a apoio eleitoral, mas enfraquece a capacidade do governador de manter seus próprios prefeitos dentro da estrutura que deverá sustentar Sandro Alex. No Extremo Oeste, o deslocamento é mais explícito. O ex-prefeito de Santa Helena Evandro Miguel Grade, o Zado, eleito pelo PSD em 2020 e posteriormente filiado ao PL, declarou apoio a Moro e trabalha para abrir portas entre prefeitos, vereadores, produtores, associações comerciais, sindicatos rurais e dirigentes do cooperativismo.
Zado afirmou ao Blog do Esmael que foi a primeira liderança política do Oeste a aderir à pré-candidatura de Moro. Sua função no projeto do senador é transformar uma vantagem nas pesquisas em apoio municipal organizado, especialmente numa região onde cooperativas, agroindústrias e lideranças empresariais possuem mais influência prática do que muitos diretórios partidários. A ofensiva mira exatamente o ponto fraco do governismo. Ratinho Junior mantém aprovação alta no Oeste, mas Sandro Alex ainda não conseguiu converter esse apoio administrativo em intenção de voto. O eleitor pode avaliar positivamente o governador e, ao mesmo tempo, escolher Moro para sucedê-lo. Esse desencaixe entre aprovação e transferência eleitoral alimenta o vazamento. Prefeitos e lideranças municipais calculam quem terá força para vencer, montar bancada, distribuir espaços partidários e governar o Paraná a partir de 2027. A fidelidade ao atual governador não assegura fidelidade ao candidato escolhido por ele. O Palácio Iguaçu busca uma fórmula para estancar a saída de lideranças antes que casos isolados se transformem em movimento estadual. O problema não se resolve apenas com fotografias de prefeitos, manifestações genéricas de apoio ou listas produzidas por assessorias. Sandro Alex precisa demonstrar que os aliados de Ratinho aceitarão defender seu nome nas ruas e transferir votos nos municípios.
Desde 4 de julho, a legislação eleitoral restringe novas transferências voluntárias de recursos da União e dos estados aos municípios, preservadas as exceções legais para obras e serviços em andamento, emergências e calamidades. A regra reduz a margem do governo estadual para anunciar novos repasses no momento em que os prefeitos decidem seus palanques. O fim dessa capacidade de atração imediata altera a relação de forças. Durante os dois mandatos, convênios, investimentos e presença regional ajudaram Ratinho a formar uma base municipal ampla. Com a caneta limitada pelo calendário eleitoral, a disputa passa a depender mais da perspectiva de poder depois das eleições. Moro tenta ocupar esse espaço oferecendo competitividade eleitoral. No Oeste, Zado funciona como tradutor do senador para o setor produtivo. No Sudoeste, a movimentação de Rafaela e Vottri entrega ao campo de Moro uma estrutura partidária que poderá receber candidatos, organizar chapas e negociar alianças. A DC ainda terá de definir formalmente seu caminho. Rafaela não declarou apoio a Moro, e a legenda poderá negociar com outros grupos. A composição de sua executiva, entretanto, criou uma passagem política entre prefeitos oriundos do PSD e auxiliares do senador.
(Foto Blog Esmael)