O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que a irmã mais nova, Laura, de 15 anos, foi retirada de seu quarto durante a busca e apreensão realizada pela Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira, 8, na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o político, a ação é um “constrangimento danado” para a família. “[Fizeram] Uma busca minuciosa, reviraram tudo. Tiveram que tirar a Laurinha do quarto dela para poder fazer a busca e procurar alguma arma que não tivesse sido informada nos autos. Foi muito ruim, muito constrangedor”, declarou durante uma live nesta manhã. A adolescente mora com Bolsonaro e Michelle na residência em que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, no condomínio Solar de Brasília, localizado no bairro nobre do Jardim Botânico, em Brasília (DF), após ser condenado pela trama golpista.
A ação de busca e apreensão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que considerou “imprescindível” a medida para “afastar qualquer dúvida” sobre a permanência de armas de fogo sob posse direta ou indireta do ex-chefe do Executivo. Na decisão, o magistrado sustenta que há divergências entre as informações constantes nos autos e os dados apresentados posteriormente pela defesa. No entanto, a versão é contestada por Flávio. “Desde sexta-feira passada a defesa está informando. Tudo informado, claramente com tranquilidade e transparência”, alega. O senador também critica a ação e diz que não há “boa fé” por parte do ministro, e nem “princípio constitucional de presunção de inocência”.
O filho mais velho de Bolsonaro alega ainda que a medida é uma “clara tentativa de cortina de fumaça” no momento em que ele está em Washington, nos Estados Unidos, onde participou nesta terça, 7, de uma audiência sobre a investigação comercial aberta pelo governo norte-americano antes da decisão definitiva, prevista para 15 de julho, sobre a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Sobre a ação da PF, que não localizou qualquer armas ou munições, João Henrique de Freitas, um dos advogados de Bolsonaro, disse que nada foi encontrado e classificou a ação como “lamentável”. “A defesa já havia informado previamente o paradeiro de todas as armas. Resultado: nada foi encontrado. É lamentável que um ex-Presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”, afirmou.
Por que a busca e apreensão foi determinada?
As buscas acontecem depois do Exército ter entregado seis das oito armas do ex-presidente, depois que uma foi apreendida em uma blitz no Distrito Federal em junho. Em ofício, a corporação afirmou que duas não estavam sob sua custódia: uma pistola Glock calibre nove milímetros e uma espingarda calibre 12 da fabricante Maestro Arms Company. Conforme a defesa de Bolsonaro, a pistola é a mesma apreendida durante uma blitz em posse de militar que atua na segurança de Bolsonaro e se encontra acautelada pela Polícia Civil do Distrito Federal. Já a espingarda, afirmam os advogados, foi dada de presente a Bolsonaro, mas nunca chegou a ser retirada e permanece sob a guarda de uma empresa importadora de artigos bélicos em Caxias do Sul (RS).
(Foto Agência Senado)