O Pix voltou ao centro do debate entre os Estados Unidos e o Brasil. Isso porque o Escritório de Comércio do governo norte-americano (USTR) acusou o Banco Central (BC) de favorecer o sistema de pagamentos, o que teria gerado prejuízo de empresas dos EUA que atuam no mesmo setor.
Diante da investigação que começou em julho do ano passado, na noite desta segunda-feira, 1º, o governo de Donald Trump anunciou uma proposta para impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, ampliando a tensão comercial entre os dois países. “O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, disse o USTR. A medida é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, que pode ser usada para responder a tais práticas “desarrazoadas ou discriminatórias de governos estrangeiros”, que supostamente oneram ou restringem o comércio dos EUA. O tarifaço pode atingir indústria e ter efeitos políticos no País.
Concorrência com empresas dos EUA
Implementado no final de 2020, o Pix se tornou um dos principais meio de pagamentos do Brasil. Cada vez mais utilizado pelos brasileiros na hora de pagar contas e transferir dinheiro, a ferramenta de pagamento instantâneo foi criada pelo Banco Central (BC) e não tem taxas, diferente de TED, DOC e cartões de crédito. Para a economista e coordenadora do curso de Economia do Insper Juliana Inhasz, é difícil sustentar que o BC esteja favorecendo o sistema de pagamentos no País ou mesmo uma empresa ou um grupo específico de empresas. Ela aponta, inclusive, que a ferramenta é semelhante ao que diversos países vêm desenvolvendo para modernizar seus sistemas financeiros, aumentar a concorrência, universalizar a bancarização e reduzir custos para consumidores e comerciantes.
“O que aconteceu, na prática, foi que o Pix se tornou eficiente e popular, ganhando espaço que antes era ocupado principalmente por meios de pagamento tradicionais, como cartões de débito e transferências bancárias, cujas empresas tinham capital internacional. Isso naturalmente afetou modelos de negócio de empresas que atuam nesses segmentos”, explica. A especialista ainda esclarece que essa questão decorre muito mais da eficiência, baixo custo e facilidade de uso do que de alguma restrição imposta a concorrentes estrangeiros. Embora as empresas americanas continuem operando no mercado brasileiro da mesma forma que antes, passaram a enfrentar uma concorrência mais forte de uma infraestrutura pública que se mostrou bastante competitiva.
(Foto Agência Brasil)