A consolidação da candidatura do senador Flávio Bolsonaro como principal nome do campo bolsonarista marca os primeiros movimentos da corrida presidencial de 2026. Levantamento nacional da Indexa Pesquisas, novo nome do Instituto Opinião, mostra que, mesmo diante do desgaste provocado pelo caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, o parlamentar mantém uma base eleitoral sólida e aparece como o único nome do bolsonarismo com competitividade suficiente para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 30%. Em um eventual segundo turno, a diferença diminui para 46% a 41%, indicando uma disputa mais apertada entre os dois polos políticos que dominam o cenário nacional.
Polarização
Os dados de voto consolidado ajudam a explicar a força da polarização. Entre os eleitores de Lula, 83% afirmam que não pretendem mudar de candidato até a eleição. Já entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 74% dizem estar decididos de forma definitiva. Na prática, o senador já parte de uma base consolidada próxima de 23% do eleitorado nacional.
A pesquisa também investigou os impactos políticos do caso envolvendo áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o levantamento, 78% afirmam ter tomado conhecimento do episódio e 48% acreditam existir algum tipo de ligação entre os dois. Apesar disso, 40% defendem que o senador mantenha sua candidatura presidencial, enquanto 38% consideram que ele deveria desistir da disputa.
Para o sociólogo e CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, o episódio já provocou efeitos políticos relevantes e pode ampliar tensões dentro do próprio campo bolsonarista. “Os dados mostram que o caso envolvendo Daniel Vorcaro já produziu desgaste político para Flávio Bolsonaro, especialmente porque a maioria da população tomou conhecimento das denúncias e parte significativa associa o senador ao episódio. Se houver novos desdobramentos ou novas denúncias, a tendência é de aumento da pressão interna de aliados e setores do próprio campo bolsonarista em busca de alternativas eleitorais”, afirma.
Michelle Bolsonaro
Diante dessa possibilidade, a pesquisa também testou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa do bolsonarismo. Nesse cenário, Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Michelle registra 25%. Em um eventual segundo turno, o presidente venceria por 48% a 40%.
O levantamento revela um país novamente dividido em linhas políticas, regionais e sociais semelhantes às observadas nas últimas eleições presidenciais. Lula lidera no Nordeste e no Sudeste, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta melhor desempenho no Sul e no Centro-Oeste.
Segundo Arilton Freres, a dinâmica das redes sociais ajuda a manter o ambiente de polarização. “As redes sociais seguem funcionando como ambientes de reforço de identidade política. O eleitor consome informação dentro de círculos muito homogêneos, o que ajuda a explicar a manutenção da polarização e das rejeições elevadas. Hoje existe menos espaço para convergência e mais consolidação das bolhas ideológicas”, afirma.
Os nomes colocados como alternativa à polarização continuam sem força suficiente para romper a disputa entre lulismo e bolsonarismo. Ronaldo Caiado aparece entre 5% e 7% das intenções de voto, enquanto Romeu Zema oscila entre 3% e 5%.
Em cenários sem Lula, candidatos ligados ao atual governo aparecem atrás de Flávio Bolsonaro. Em uma simulação com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o senador do PL soma 32%, contra 21% de Alckmin. Já em um cenário com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, Flávio registra 30%, enquanto Haddad aparece com 23%.
Nos cenários de segundo turno sem Lula, Flávio Bolsonaro também mantém vantagem numérica. Contra Alckmin, marca 40% ante 35% do vice-presidente. Em uma disputa contra Haddad, registra 40%, enquanto o ministro alcança 36%.
Avaliação do governo federal
Na avaliação do governo federal, os dados mostram um ambiente econômico ainda desafiador para Lula. Para 35% dos entrevistados, a economia brasileira piorou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 27% percebem melhora. Sobre o poder de compra, 35% afirmam que sua situação financeira piorou, contra 29% que relatam melhora.
Segundo Arilton Freres, os indicadores positivos da economia ainda não se converteram plenamente em percepção popular. “O governo Lula conseguiu indicadores de estabilidade em áreas importantes da economia, mas isso ainda não foi plenamente convertido em sensação de melhora concreta na vida da população. A pesquisa mostra que parte relevante do eleitorado ainda percebe perda de poder de compra e deterioração econômica, o que limita o impacto político dos resultados macroeconômicos”, diz.
Pesquisa mede rejeição de eleitores
A pesquisa mostra ainda altos índices de rejeição aos dois principais grupos políticos do país. Entre os entrevistados, 46% afirmam que jamais votariam em Lula, enquanto o mesmo percentual declara rejeição a Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, ambos mantêm bases eleitorais consistentes: 32% afirmam que votariam “com certeza” em Lula e 28% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.
Apesar da liderança eleitoral, Lula enfrenta sinais de desgaste político. Segundo o levantamento, 59% afirmam que o presidente não merece permanecer mais quatro anos no cargo, enquanto 36% defendem sua continuidade.
O estudo também aponta diferenças geracionais importantes. Flávio Bolsonaro apresenta melhor desempenho entre eleitores de 16 a 34 anos, faixa em que cresce a percepção de que ele teria preparo para assumir a Presidência. Já Lula concentra apoio mais forte entre eleitores acima de 45 anos, especialmente entre brasileiros com mais de 60 anos.
Outro dado relevante é o nível de cristalização do voto. Para 65% dos entrevistados, a escolha para presidente já está definida, enquanto 25% afirmam que ainda podem mudar de posição até a eleição. Além disso, 57% dizem decidir o voto meses antes do início oficial da campanha.
Entre as mulheres, Lula mantém vantagem significativa, com 44% das intenções de voto, contra 27% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o cenário se inverte: o senador lidera com 35%, enquanto Lula registra 32%.
A divisão religiosa continua sendo um dos principais marcadores da disputa presidencial. Entre evangélicos, Flávio Bolsonaro alcança 42% das intenções de voto, enquanto Lula registra 26%. Já entre católicos, o presidente lidera com 43%, contra 26% do senador.
Regionalmente, Lula apresenta desempenho mais forte no Nordeste, onde chega a 44% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro registra seus melhores índices no Centro-Oeste, com 39%, e no Sul, com 35%.
STF
Além do cenário eleitoral, a pesquisa mediu opiniões sobre temas institucionais ligados ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o levantamento, 47% defendem que o Senado dê andamento a um processo de impeachment contra ministros do STF. Outros 39% apoiam a criação de mandatos entre 12 e 16 anos para integrantes da Corte. O apoio a essas pautas é maior entre eleitores do Sul, do Centro-Oeste e entre homens.
Pesquisa está registrada no TSE
A primeira rodada da pesquisa quantitativa nacional da Indexa Pesquisas foi realizada entre os dias 22 e 24 de maio de 2026, por meio de entrevistas telefônicas com 2 mil eleitores distribuídos proporcionalmente em todo o país. O levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro máxima estimada em 2,2 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02154/2026.
O tradicional Instituto Opinião, que atua desde 2007 no segmento de pesquisas eleitorais, opinião pública e análise de cenários políticos, passa a se chamar Indexa Pesquisas. O reposicionamento integra um processo de expansão e consolidação da marca no mercado, mantendo a mesma estrutura técnica, equipe e metodologia reconhecidas nacionalmente. Com atuação em mais de 300 municípios brasileiros, a empresa inicia esse novo ciclo com uma série de levantamentos nacionais previstos para o calendário eleitoral de 2026.
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